DIRETRIZES BÍBLICAS PARA A DISCIPLINA NA IGREJA

* Nota de esclarecimento: o presente estudo foi adotado como base disciplinar na 3ª Igreja Batista de Marília, aprovado por unanimidade em Assembléia Administrativa no dia 17 de Agosto de 2010.

 

Disciplina: vaso na olariaO tema “Disciplina na Igreja” sempre gera certo desconforto, pois ameaça os conceitos pós-modernos de individualismo, relativismo e liberdade de escolha que tem dominado nossa cultura nos últimos tempos. Por conta disto, muitos têm optado por relevar e permitir comportamentos pecaminosos dentro da igreja, evitando assim impopularidade e aborrecimentos.

Entretanto, a Bíblia, nosso guia de fé e prática, é bem clara com relação à necessidade da aplicação da disciplina na igreja local. E, alicerçados nos ensinos das Escritas Sagradas é que afirmados que a igreja não pode ignorar ou ser complacente com práticas contrárias à conduta cristã.

  

 I. A NECESSIDADE DA DISCIPLINA

O exercício da disciplina não é opcional dentro do contexto da Igreja local, e precisa ser encarada como um caminho indispensável em direção da vontade de Deus. Quando negligenciamos o que a Bíblia diz a este respeito estamos abrindo mão da nossa própria identidade perante o mundo e, por conseqüência, nos desprovemos da autoridade necessária para a pregação do Evangelho. A Igreja é essencialmente cristocêntrica, por isso não podemos aceitar aquilo que Cristo já condenou (Hb 10:28-29; 1 Co 6:15; 1Co 10:12).

É certo que ninguém gosta de ser disciplinado ou corrigido, mas a disciplina é antes de mais nada um gesto de amor e uma ferramenta utilizada pelo próprio Deus para ajudar seus filhos a se manterem no caminho direito (Hb 12:4-13; Ap 3:19; Ef 5:25-27).

Todo nós somos pecadores e vale ressaltar que a autoridade da disciplina não provêm daquele que a aplica, mas daquele que a ordenou: Jesus Cristo, o Senhor e Cabeça da Igreja (Ef 1:22-23; Hb 10:28-29).

Não nos cabe alimentar um espírito crítico e acusador. Mas Deus nos ordena a julgar “os de dentro” (1 Co 11:31-32 e Ap 2:2, 14-15, 20). Portanto, a igreja que não aplica a disciplina em seu meio está em desobediência direta à Palavra de Deus.

Sem disciplina na igreja o pecado se estabelece (1Co 5:1), gera acomodação e orgulho (1Co 5:6), contamina outros (1Co 5:7), impede o fluir do Espírito Santo (Is 59:2; Rm 8:5) e envergonha o Evangelho (Rm 2:23-24).

 

II. O PROPÓSITO DA DISCIPLINA

A disciplina na igreja tem três principais objetivos:

  • Glorificar o nome de Cristo. Cada igreja local é parte do corpo de Cristo aqui na terra, e manter este corpo limpo e purificado é a nossa missão (Ef 4:12-19).
  • Conduzir o transgressor ao arrependimento e total restauração (2Co 7:9-10; Mt 18:15; 1Co 5:5).
  • Preservar a reputação e pureza da igreja (1Co 5:6-8; 1Tm 5:20; Tt 2:13-15; At 20:28-31).

 

III. TRÊS NÍVEIS GERAIS DE AÇÃO COM RELAÇÃO AO PECADO

 

1) ENSINO E ADMOESTAÇÃO

Tudo que contraria os mandamentos de Deus é pecado e, nesse sentido, não existe diferença entre pecado pequeno ou um grande pecado. Ambos agridem igualmente a santidade de Deus e quebram a nossa comunhão com Ele. Entretanto, em várias ocasiões a Bíblia demonstra que existe diferença entre pecados no sentido de uns serem mais graves que outros. Ex: cisco e trave (Mt 7:1-5), pecados que são e que não são para a morte (1 Jo 5:16), pecado menor e maior (Jo 19:11).

Podemos classificar como “pecados menores”, aqueles que são próprios da fraqueza humana, e que a grande maioria dos mortais comete diariamente, tais como aspereza, impaciência, murmuração, omissão, irritabilidade, ansiedade, falar demais, egoísmo, etc,.

Tais atitudes são contrárias às instruções bíblicas, mas sem muita gravidade, por isso não requerem medidas disciplinares. A estas, a Bíblia nos incentiva a sermos compassivos e tolerantes uns com os outros, perseverando na instrução, e advertindo quando necessário (Rm 15:1; 1Pe 4:8; Cl 3:16; 2 Tm 3:16).

 

2) CONFRONTO E DISCIPLINA

Se a transgressão cometida for grave, mas não a ponto de exigir o desligamento do rol de membros, a pessoa deverá receber o devido cuidado pastoral sem a necessidade de se levar o caso à igreja. Pecados como: fofoca, insubordinação, brigas, linguagem obscena, desonestidade, mau comportamento, adultério... requerem algum tipo de disciplina, mas se a situação não tiver se tornado pública, deverá ser cuidada de maneira velada e sem escândalos, preservando-se a pessoa e a igreja (1Ts 5:14; 2Tm 2:24-26; 2Tm 4:14-15; Tt 1:9-11; Tg 5:20).

A pessoa que cometeu o pecado deve ser levada ao arrependimento e ser acompanhada de perto por um pastor ou líder espiritual, que a orientará no processo de restauração. Este processo poderá envolver: sessões de aconselhamento, estudos bíblicos, prestação de contas, remoção das funções ministeriais e da comunhão na Ceia, etc... Nestes casos, é essencial que a liderança da igreja aja em concordância, com discernimento, sabedoria, responsabilidade, sobriedade e em espírito de oração, tratando de cada situação individualmente.

No caso de pecados e ofensas entre duas pessoas (insultos, calúnia, furto, violação de contrato, etc), a Bíblia ordena que ambas procurem primeiramente resolver a questão entre si. Se a pendência for satisfatoriamente solucionada, o caso é encerrado e não há necessidade de se levar o assunto adiante (Mt 5:23-24; Mt 18:15-22).

Quando a admoestação individual não gera o concerto esperado, Jesus ordena que um número maior de pessoas participe do processo (mais duas ou três). Isso faz com que o transgressor tenha oportunidade de ser ouvido e também de ouvir mais de uma opinião a respeito (Mt 18:16).

 

3) DESLIGAMENTO DO ROL DE MEMBROS

Todo pecado deve ser corrigido, mas há casos específicos em que a Bíblia nos orienta a levar o caso para o conhecimento da igreja e a romper a comunhão cristã com o transgressor. É a forma de disciplina mais drástica e deve ser adotada apenas em situações igualmente drásticas (1Co 5:1-13; 2Jo 1:9-11; Tt 1:16; Tt 3:10-11; Gl 5:19-21).

Revelar à igreja a transgressão de um de seus membros não pode ser considerado, de forma alguma, uma “violação de segredos”. Nestes casos Deus ordena que declaremos à igreja o pecado cometido, não só para a oficialização pública da disciplina, mas para que todos orem pelo pecador, vigiando também a si mesmos (Mt 18:17; 1Tm 5:20).

Deve ser levado a este tipo de disciplina todo comportamento pecaminoso que causa dano à unidade, à integridade doutrinária e à pureza ou à reputação da igreja como um todo. Mesmo que a pessoa se declare arrependida, o pecado já se tornou público, portanto convém que o desligamento seja efetuado a fim de se preservar a imagem da Igreja e do Evangelho de Cristo.

Membros da igreja, que se dizem cristãos, mas são conhecidos publicamente por pecados tais como: imoralidade sexual, embriaguez, apostasia, estelionato, crimes contra a sociedade, etc, devem ser retirados da comunhão da igreja. Tal procedimento deve ocorrer após uma comunicação por parte do pastor da igreja ou de um líder espiritual com autoridade pastoral, e vir acompanhado de amor, admoestação e convite ao arrependimento.

Exemplos bíblicos de transgressões que devem ser disciplinadas com o desligamento:

  • Aquele que se recusa a abandonar o erro mesmo depois de ser exortado em amor várias vezes (Mt 18:16-17).
  • Pecados que trazem escândalo à igreja (1Co 5:1-13).
  • Os que ensinam doutrinas contrárias ao Evangelho (1Tm 1:20).
  • Os que causam divisões na igreja (Rm 16:17-18).
  • Aqueles que andam desordenadamente (2Ts 3:6-15).
  • Os que deixam de participar dos cultos, por um período prolongado (um ano, em média) e de forma deliberada, sem um motivo legítimo (Hb 10.24-25).

O desligamento de um membro da igreja em casos extremos é o cumprimento da ordem direta do próprio Cristo, que nos ensina a considerar o transgressor como “gentio” (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo) e “publicano” (considerados traidores e apóstatas) - Mt 18:17; Rm 2:21-24; 1 Tm 1:20 e Tt 3:10-11.

O membro que é disciplinado com o desligamento perde seus privilégios como membro da igreja de participar da Ceia, atuar em um ministério ou votar nas assembléias. Cabe à liderança da igreja oferecer, à pessoa que foi desligada, um acompanhamento pastoral cuidadoso, com visitas, estudos bíblicos e atividades que contribuam para sua cura e restauração.

Obs: segundo firmado em Estatuto Social, sendo a Igreja local uma associação, tem todos os direitos éticos e legais de desligar um membro que tenha incorrido em alguma falta grave (acima citadas), numa conduta que esteja em desacordo com os preceitos bíblicos, após aprovação mediante votação em Assembléia Administrativa.

 

IV. COMO TODA DISCIPLINA DEVE SER APLICADA

  • Com amor (Jo 13:34-35; Rm 12:10; 1Jo 4:7-8).
  • Em espírito de mansidão e humildade (Gl 6:1; Fl 2:3).
  • De imediato, logo que o pecado é descoberto (Mt 5:25; Hb 13:13-15; Tg 4:17).
  • Mediante o testemunho de duas ou três testemunhas idôneas (Mt 18:16; 1Tm 5:19).
  • Sem parcialidade ou acepção de pessoas (Cl 3:25; Tg 2:9; 1Tm 5:21).

 

V. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES

Disciplina é sempre um ato de amor.

É preciso perdoar sempre, mesmo quando não houver arrependimento. Mas perdoar não significa aceitar um determinado erro.

A igreja não deve desistir de quem foi disciplinado.

A disciplina precisa estar calcada em princípios e valores bíblicos e não em pensamentos humanos ou costumes culturais. Em alguns casos, o que pode ser entendido como pecado para uns pode não ser para outros. E necessário muito amor e discernimento espiritual para agir em cada caso.

Cuidar para que o ato disciplinar não seja, em hipótese alguma, fruto de partidarismo, legalismo extremo ou capricho. Milhares de pessoas, ao longo da história do Cristianismo, sofreram feridas profundas como resultado de terem sido disciplinadas injustamente.

O membro que foi disciplinado ou desligado do rol de membros terá sua reintegração aceita pela igreja logo após o término do processo de restauração, que envolve: confissão (Tg 5:16), arrependimento (Mt 3:8), abandono do pecado (Rm 6:2-22), mudança de atitude (Ef 4:20-32) e, em alguns casos, a restituição (Rm 13:7-8).

Infelizmente, algumas pessoas não estão prontas para aceitar a disciplina e, ao serem disciplinados decidem abandonar a igreja. Outros a rejeitam, acusando a igreja de discriminação ou injustiça. Entretanto, é o pecado que gera rebeldia e dureza de coração, e não a disciplina (1Tm 1:20; Jr 7:28; 1Jo 2:18-19).

 

CONCLUSÃO

Deus espera que sejamos zelosos e fervorosos, tanto no amor pelo próximo (Cl 3.14; 1 Pe 4.8) como em nossa busca pela santidade e a pureza da igreja (Tt 2.14; Hb 12.14-17).

Certamente os casos de disciplina sempre envolvem dor, demanda de tempo e desgaste emocional. Há porém o conforto de saber que Deus estará operando durante todo o processo e que, por mais difícil que seja, é uma medida necessária para que Cristo seja glorificado, a igreja seja aperfeiçoada e a pessoa disciplinada seja completamente restaurada.

 

Material elaborado pelo Conselho de Pastores da 3ª Igreja Batista de Marília.

Redação: Márcia Rezende.

 

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fernando: bom dia irmãos, fiquei por muitos dias e horas na internet buscando informações para entender e ter uma opinião formada em relação a crise politica que vivemos , cheguei a seguinte conclusão , não adianta sair as ruas pedir o fim da corrupção , fora A ou fora B , temos que sair sim , mas para clamar a DEUS sua misericórdia sobre nós pois tudo o que acontece está sob sua permissão , se as coisas estão difíceis é DEUS nos avisando , TEMOS QUE BUSCAR A MELHORA EM DEUS QUE SABE DO QUE REALMENTE PRECISAMOS , E NÃO EM HOMEM NENHUM , me recordo que uma vez saímos para clamar a DEUS nas entradas e saídas de nossa cidade , será que não está na hora de sairmos novamente em clamor a DEUS ??? ESSA CRISE É RESULTADO DE MUITA OBSTINAÇÃO GENERALIZADA VAMOS REFLETIR ??? VAMOS AGIR ??? VAMOS PARA RUA CLAMAR ??? ou vamos esperar achando que nós mesmos vamos resolver ???

Servo do Altissimo : Estava eu, olhando o site dessa igreja e dentro de mim surgiu um sentimento tão gostoso, senti saudade. Saudade de não estar mais tão perto, de nao estar mais servindo como antes, de não estar mais louvando, adorando e aprendendo mais sobre o Deus que tudo pode. Ah se eu pudesse faria tantas coisas diferente, falaria e teria outros atos para conservar e ampliar a distância entre eu e essa igreja, que por tanto tempo religou eu a Deus. Ahh mas como somos falhos, deixamos levar por coisas futéis, pequenas, coisas que nos tiram o foco, deixando a visão desfocada, assim saimos do caminho que nos leva a Salvação. Como ja previa o profeta, até os jovens cansam e caem. Mas irmãos, mantenha firme no Senhor, olhe para o alvo, olhe para o Snehor que é de onde vem o socorro, olhe para Deus e corra para os braços DELE, onde há força, onde a esperança nao acaba, Ele é o Senhor, o Senhor de Todas as coisas. Escolhi por um tempo vender os meus ministérios para Satanas, troquei as veste de principe, por veste de luto, veste sujas, troquei a liberdade por uma escravidão, mas ela, a escravidão nao foi eterna, pois o Senhor de todas as coisas vive para Sempre, e os que estão na mãos dele nunca sai de lá, sou a prova disso, quando o meu alvo deixou de ser Cristo, e quando meu caminho não levaria a Cristo sentia que meu caminho não era ali, me perguntava: Meu Deus onde estou? Porque estou aqui? Oh Deus me ajuda, mas ele estava ali, de braços abertos para me abraçar e sorrir para mim. Oh Deus nunca me Deixou, o Espirto Santo começou a incomodar meu coraçao, podia ouvir filho, seu lugar não é aqui. Ahh como ele é Gentil, hoje voltei para a Casa para ser Casa novamente, casa do Senhor. Casa que ajuda a me ligar com Deus, me ensina, me leva a adorar o Deus, o único Deus, ALELUIA. Amada Igreja mantenha o foco em Cristo, amados pastores, vocês são um canal de benção, para todos nos, ovelhas do rebanho de Cristo. É um prazer fazer parte desse corpo, corpo únido, corpo sadável. Sendo igreja.

ENTRELÍDERES: Terça, dia 19 de Janeiro, teremos nosso primeiro encontro de 2016. Contamos com a presença de todos que ocupam alguma função de liderança na igreja. Será um tempo muito importante de comunhão, oração e compartilhamento. Não percam!

Alexandre - Rede Ministerial: Alexandre, recebemos seu recado e enviamos o material solicitado por email, mas o email voltou. Favor reenviar endereço para entrarmos em contato. Deus abençoe.

fernando: sim estamos vivendo os ultimos dias do governo humano na terra.A cada dia que se passa vemos a falência dos pilares humanos : Político , comércio , e religioso. Por isso é muito importante sabermos o que nosso Deus tem reservados p os que creem nele de verdade. (Mateus 6:10)=venha o teu reino , seja feita a tua vontade , assim na terra como no céu. (Daniel 2:44)=na época desses reis ,o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo ,destruirá todos os reinos daqueles reis e os exterminará , mas esse reino durará para sempre. (salmo 72:12)= Pois ele liberta os pobres que pede por socorro,os oprimidos que não têm quem os ajude.(Isaías 33:24)= Nenhum morador de Sião dirá: "estou doente!" E os pecados dos que ali habitam serão perdoados.(João 5:28,29)=Não fiquem admirados com isto,pois está chegando a hora em que todos que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão;os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados. O entendimento da palavra de Deus nos ajuda a entender o que acontece hoje e o que está por vir....Deus nos abênçoe a todos.

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